quarta-feira, 14 de julho de 2010

Católico e Maçom, é possível?
Do livro "Entrai pela porta Estreita" do Prof. Felipe Aquino

Hoje a Maçonaria atrai muitos católicos, infelizmente, embora a Igreja proiba que nos tornemos maçons.
Com todo o respeito que devemos a cada pessoa, em face à sua opção, devemos contudo, lembrar aos que querem ser autenticamente católicos, que a filiação à Maçonaria é considerada pela Igreja Católica "pecado grave", já que as concepções de Deus e religião, assim como o processo de iniciação secreta imposto aos novos membros, não se coadunam com as noções do Cristianismo relativos a Deus e aos sacramentos, principalmente.
A Igreja tem uma posição oficial sobre o assunto, que foi feita pelo pronunciamento da Santa Sé em 26/11/1983, por ocasião da promulgação do atual Código de Direito Canônico pelo Papa João Paulo II.
Esta é a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que vem assinada pelo seu Prefeito, Cardeal Joseph Ratzinger e pelo Fr. Jérome Hamer, Secretário:
Tem-se perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da Maçonaria pelo fato de que no novo Código de Direito Canônico, ela não vem expressamente mencionada como no código anterior.
Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redacional, seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.
Permanece, portanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e, por isto, permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas, estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar´se da Sagrada Comunhão.
Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciar-se sobre a natureza das associações maçônicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, pp. 240s).
O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, definida em reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação".
Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983.
É importante notar que a Declaração da Santa Sé afirma que "estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão". Isto é muito sério para os católicos. E é a palavra oficial da Igreja sobre a questão!
O número 386 da Revista "Pergunte e Responderemos", de autoria de D. Estevão Bittencourt, nas páginas 323 a 327, traz um elucidativo artigo sobre o assunto.
Neste artigo D. Estevão, de reconhecida seriedade e competência, teólogo renomado; afirma:
"A Maçonaria professa a concepção de Deus dita "deista", ou seja, a que a razão natural pode atingir; ´ admite "a religião na qual todos os homens estão de acordo, deixando a cada qual as suas opiniões particulares". Esta noção de Deus e de Religião é vaga e não condiz com o pensamente cristão, que reconhece Jesus Cristo e as grandes verdades por Ele reveladas".
"Além disto, tanto a Maçonaria Regular como a Irregular têm seu processo de iniciação secreta. Propõem o aperfeiçoamento ético do homem através da revelação de doutrinas reservadas a poucos e recebidas dos "grandes iniciados" do passado - entre os quais alguns maçons colocam o próprio Jesus Cristo. Celebram também ritos de índole "secreta ou esotérica", que vão sendo manifestados e aplicados aos membros novatos à medida que progridem nos graus de iniciação. "Ora um tal processo de formação contrasta com o que o Cristianismo professa: este não conhece verdades nem ritos reservados a poucos; nada tem de oculto ou esotérico".
Outra razão muito séria que D. Estevão levanta, para mostrar ao católico que não se faça maçom, é esta:
"Ademais, quem se filia a uma sociedade secreta, não pode prever o que lhe acontecerá, o que se lhe pedirá ou imporá; não sabe se lhe será fácil guardar sua liberdade de opções pessoais. Embora tencione manter fidelidade a seus princípios íntimos, pode-se ver em encruzilhadas constrangedoras".
Por outro lado, é preciso lembrar aos católicos que a fé e a doutrina da Igreja é insuperável e completa: herdada dos profetas e dos Apóstolos; revelada por Deus; confirmada pela Tradição dos Santos Padres, Doutores e Santos; confessada pelo sangue dos mártires e guardada pelo Sagrado Magistério. Não é preciso buscar "coisas novas" para alimentar o espírito, uma vez que o próprio Senhor nos oferece a sua Palavra e o seu próprio Corpo na Eucaristia.
O Santo Padre nos outorgou o Catecismo da Igreja Católica, de riqueza inefável, capaz de nos preparar para cumprir aquilo que São Pedro nos pede:
"Estai sempre prontos a responder para a vossa defesa a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança" (IPe 3,15).
Antes de buscarmos "coisas novas", e perigosas para a nossa vida espiritual, ou que põem em risco a nossa própria salvação eterna, vamos antes aprender o que devemos, no seio sagrado e puro da nossa Santa Mãe Igreja.
Além do mais é preciso lembrar que a principal virtude do católico é a obediência à Santa Igreja, chamada pelo Papa João XXIII, de Mater et Magistra (Mãe e Mestra).
Quem desejar compreender melhor as razões pelas quais a Igreja, como Mãe cautelosa, proibe os seus filhos de se associarem às lojas maçonicas, poderá ler o livro do Bispo de Novo Hamburgo, D. Boaventura kloppenburg, Igreja
Maçonaria, Ed. Vozes, 2a. Edição, 1995, ou ainda o livro do Bispo Auxiliar de Brasília, D.João Evangelista Martins Terra, sobre o mesmo assunto.
Infelizmente, em desobediência à Igreja, alguns no passado, até mesmo do clero, se associaram à Maçonaria, no intuito, às vezes, de serem úteis à sociedade, mas isto nunca foi permitido pela Igreja.

Pe. Paulo Ricardo fala sobre a situação da Igreja na China

O Senhor do Aneis - História do Autor - JRR. Tolkien

A LIBERDADE DA ESCOLHA.!

Castidade

                       Soltando a Língua

                   Corpos Belos!

Malhar, se cuidar, beleza!
Mas o exagero pode causar grandes problemas pro corpo e pra cabeça!
Pe Silvio César solta a língua sobre a beleza estética e o culto do corpo num mundo que cada vez mais valoriza o que é belo por fora.
E como cristãos, como achar o equilíbrio? Confere aí:


      Atenção, área VIP

 “ENCALHADO”  você já ouviu falar nesta palavra? Tão temida por alguns e tão vividas por outros…
            Hoje um dos maiores medos nos relacionamentos é o de ficar só, sem namorado; sem namorada. Aí entra esse grande rótulo (encalhado!).
Colocado muitas vezes por nós mesmos.
            Mas eu quero te apresentar uma nova palavra… Por sinal, não a encontramos em qualquer lugar, muito menos para qualquer um…
Pense comigo!
Quantas vezes fomos para um casamento ou uma festa importante e encontramos lá bem grande:
 “RESERVADO”.
Chegamos num supermercado e vemos logo de cara aquela fila:
 “RESERVADA”.
A primeira impressão que fica é que pessoas importantes irão usufruir daquilo que foi separado, escolhido, preparado e reservado.
            Não quero só te dizer que você está reservado (a), mas existe uma pessoa separada, escolhida, preparada e reservada que na hora certa vai dar certo.
Encalhado é uma palavra tão baixa, tão vulgar que ninguém deveria ser rotulado assim. Afinal de contas quem fica encalhada é baleia e na maioria das vezes, ela não consegue soltar-se, fica presa, se ferindo até morrer. 
            Você está encalhado/a?
Não está.
Pense diferente.
Pense assim:
Você está “Reservado/a” você é muito importante e só pessoas importantes podem usufruir, só a pessoa certa pode ter acesso.
Não se deixe levar por essa onda, mas se assuma como: RESERVADO(A)
Como fala Stª Edith Stein “O que vale apena possuir, vale a pena esperar”

Tamu junto
Thiago Teodoro

Espiritualidade Jovem

Ser um jovem espiritual sem ser espirtualóide!!
Sim é possível e necessário!
Este foi o tema abordado com os missionários da Comunidade Shalom no programa Revolução Jesus.
Quem acompanhou pela @tvcancaonova pode dizer e comprovar que o assunto estava pra lá de bacana!
Mas como nossa equipe nunca deixa ninguém para trás, você confere abaixo, os melhores momentos.
Na entrevista, Léo, Gustavo e Moura falam como ser um jovem ESPIRITUAL! E para melhorar o seu dia, você confere na integra a música “Conto Contigo” do novo CD “De malas prontas” da Banda Missionário Shalom.
Fique ligado, porque para esta semana, temos muitas novidades!!!
Tamu junto !!!
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sábado, 10 de julho de 2010

A oração da Ave-Maria

Cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Uma das orações católicas mais populares é a Ave-Maria. Todos rezamos o Terço, por vezes o Rosário inteiro, mas, nem sempre, meditamos sobre o conteúdo desta oração. Por isso, tomei a peito adentrar um pouco sua profundidade.

Sabemos que a oração mais importante do Rosário, é o Pai-Nosso, no qual Cristo resume toda a doutrina do Reino de Deus. A seguir, o Glória proclama o mistério trinitário, e a Ave-Maria celebra o centro do Mistério da Encarnação.

A saudação angélica consta do Evangelho de Lucas, quando o anjo Gabriel foi enviado à Virgem de Nazaré, chamada Maria. Ela estava, certamente, em oração, e o anjo a saúda: “Alegra-te, Maria”. Esta era uma saudação profética em Israel, dirigida a personalidades ilustres, quando recebiam grandes missões. Alegra-te: é o prenúncio de que estão em jogo grandes coisas por acontecer (cf. Lc 1,21ss).

Logo depois, vem assinalado o motivo dessa alegria: “Alegra-te, porque és cheia de graça”. “Cheia de graça” é o título da plenitude: Maria recebera tanta graça quanta era cabível em uma criatura humana. E é nessa plenitude de graça que se radicam os grandes dogmas do culto mariano. Em Maria, evidencia-se a ação plena de Deus, com a colaboração de sua aquiescência humana.

“O Senhor está contigo”. Esta é outra fórmula usual, que também se encontra no chamado de Deus a Moisés (cf. Ex 3,12), assim como a outras personalidades da Antiga Aliança, que receberam de Deus missões difíceis. E, assim, o anjo Gabriel diz a Maria: “O Senhor está contigo”. E ela se assusta, pergunta e titubeia, não sabe do que se trata. E o anjo continua, dizendo-lhe que ela seria a Mãe do Messias: “Eis que conceberás e darás à um luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1,31-33). Não se sabia, então ainda, que o Messias seria Deus. Isto foi revelado somente mais tarde, pelas palavras e pelas obras do próprio Cristo.

Diante da saudação e da proposta que lhe são apresentadas, Maria, finalmente, aceita. Não porque já compreendesse tudo, mas porque vem da parte de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Essa disponibilidade era necessária, para que Jesus pudesse entrar na nossa história, reconduzindo-nos ao primigênio plano do amor de Deus. Naquele momento, começa a restauração da humanidade.

Isabel completa a saudação do anjo: “Tu és bendita entre todas as mulheres” (Lc 1,42). A introdução do termo “mulheres” foi muito oportuna, acentuando a dignidade feminina, porque as mulheres quase não eram consideradas em Israel. Mas a saudação teve um motivo teológico. Maria ia ser a Mãe do Salvador, o Filho de Deus: “Bendito é o fruto do teu ventre”. Reconhecendo-se como serva, acolhe a grandeza da maternidade, como puro dom de Deus: “porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49), conforme ela cantará no seu Magnificat.

Chegamos à segunda parte da Ave-Maria, composta pela Igreja. “Santa Maria, Mãe de Deus”: “santo” significa tudo o que é separado do profano, reservado, escolhido entre todos. Maria foi toda consagrada a Deus, para ser o vaso insigne, que acolheria a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus. Ser sua Mãe é a fonte de todas as glórias de Maria.

Ele veio ao mundo com o nome de Jesus, que significa “Deus salva”. Como Verbo de Deus, possui a natureza divina desde sempre. Encarnando, assume a natureza humana, que Maria lhe oferece, como instrumento de colaboração para a Redenção da humanidade, e nunca mais a depõe. Portanto, em sua Pessoa divina há duas naturezas: a divina e a humana. Por isso ela é Mãe de Deus. Esta é uma afirmação dogmática, declarada no ano 431, pelo Concílio de Éfeso, e festejada pelo povo nas ruas daquela cidade.

A parte final da Ave-Maria esclarece seu papel junto a nós: “Rogai por nós, pecadores”. Maria nunca teve que lamentar um remorso, nunca sentiu sofrimentos psicológicos, por ter feito algo que não estivesse de acordo com a vontade de Deus. Portanto, não entra no rol de pecadores e pecadoras. Ela pertence, sim, à humanidade pecadora, mas foi preservada pela força da redenção de Cristo, antecipadamente projetada sobre ela. É o que afirma o dogma da Imaculada Conceição.

Além de ser toda santa, pura e imaculada, é, também, a Mãe das misericórdias. Embora nunca tenha experimentado o pecado, como Mãe é capaz de nos entender, nos momentos em que sentimos o peso da nossa miséria. E, nessa hora, é preciso que ela intervenha. “Rogai por nós pecadores”.

Então, acrescentamos: “Agora”: “Rogai por nós pecadores, agora...”, significando o único momento que, propriamente, temos, pois o antes já se foi, e o amanhã ainda não veio. Esse “agora” é encontrável, muitas vezes, na Bíblia, em expressões como: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz [de Deus] (Sl 94[95]); “Animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido na palavra hoje (Hb 3,13). E Cristo fala, diversas vezes: “A minha hora ainda não chegou (Jo 2,4); “Pai, é chegada a hora” (Jo 17,1), referindo-se à Redenção dolorosa da humanidade, que Ele iria realizar.

De agora em agora, chegará o momento da nossa morte. “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”. Esta é a hora que nada poderá reter. Melhor é estar bem leve, desapegado de tudo, até de nossos entes queridos, embora chorem de saudade por nós.

Minha mãe, prestes a deixar este mundo, dizia: “Meu filho, não adianta. Quando Deus me atrair, mais do que vocês me podem reter, eu irei”. De fato, nem os mais sagrados laços de parentesco podem deter aqueles que são chamados ao encontro transcendente. Resta-nos acolher o desígnio divino com serenidade, na certeza de que Maria, ouvindo nosso pedido, estará intercedendo por nós, no momento final e terminal.

Procuremos, daqui por diante, rezar bem todas as Ave-Marias, pontualizando palavra por palavra, invocação por invocação. E Maria, em cada uma, vai estar presente com a sua atuação de Mãe, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
A missão da Igreja

Cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales

O santo Padre Bento XVI com frequência fala sobre a importância da Igreja e de sua missão nos dias atuais. O objetivo da sua missão, afirma o Papa, “é iluminar com a luz do Evangelho todos os povos em seu caminhar na história rumo a Deus, pois N’ele encontramos a sua plena realização” (Mensagem para o Dia Mundial das Missões, 2009).

Esta missão, recebida de Cristo pela Igreja, abrange o homem todo, não apenas sua alma. A razão é simples. Como formamos um todo, há uma profunda interligação entre os elementos constitutivos do ser humano. Ao tratar de assuntos não religiosos, a Igreja deve fazê-lo exclusivamente como decorrência da Fé e excluídos influxos político-partidários ou ideológicos. Frente aos problemas da sociedade civil, surgem acusações de intromissões descabidas.

A Igreja, na busca do bem comum e do bem das almas, atua em nome de Cristo neste terreno. Uma ação pastoral é válida quando procura, por todos os meios honestos, a inclusão de princípios que assegurem o pleno desenvolvimento religioso e suas consequências no tempo e na eternidade. Em uma democracia, os cidadãos devem garantir a presença das exigências cristãs em matéria de educação, trabalho, conceito de propriedade, respeito à vida, fundamentos da família e assim por diante. Fazê-lo é lícito. O critério para averiguação do caminho correto é examinar se o procedimento se refere ao plano eclesial ou avança em área privativa da competência das autoridades civis.

O mesmo se pode dizer, por exemplo, da reforma agrária. Há dois modos de abordar a questão: um é o político, modo esse reservado ao Estado; outro, enquanto envolve aspecto moral, a natureza social conferida por Deus aos bens criados. Nesse caso, merece a devida atenção da Igreja.

Acusar toda e qualquer interferência de eclesiásticos nessa matéria como indébita é uma injustiça. Também grave erro seria se ela ultrapassasse a esfera eclesial e invadisse atribuições próprias do Governo. O Concílio Vaticano II é explícito: “No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autônomas” (“Gaudium et Spes”, nº 76). De grande sabedoria as diretrizes do Vaticano II quando insiste na importância “de uma concepção exata das relações entre a comunidade política e a Igreja e, ainda, que se distingam claramente as atividades dos fiéis (...) as quais desempenham em nome próprio guiados por sua consciência de cristãos, e aqueles que as exercitam em nome da Igreja e em união com os seus pastores”.

Diante dos desafios da história, a Igreja, como um todo, tem um papel específico a exercer, que não se identifica nem substitui o dos políticos, dos economistas, dos sociólogos, etc. É o papel de quem, levando a cabo sua tarefa especificamente religiosa, está dando uma colaboração própria para a solução dos problemas humanos. Nesse sentido, escreve o Santo Padre Bento XVI em sua Encíclica “Caritas in veritate”: “A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende de modo algum imiscuir-se na política dos Estados; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (nº 9).

Estas considerações visam fazer-nos refletir, antes de tomar um juízo sobre o comportamento das autoridades religiosas nos assuntos temporais. Um julgamento, fruto de uma posição pessoal, à margem da moral cristã, dos postulados da Doutrina Social da Igreja, não é cristão. Uma crítica só será merecida se verídica e autêntica. Caso contrário, transforma-se em leviana. Por outro lado, o bom senso nos diz que diante de uma acusação é conveniente e útil, antes de rejeitá-la, verificar se é justa ou se nela há parcelas que correspondem à realidade. Em vez de uma reação intempestiva de quem quer que seja, o estudo objetivo nos dá serenidade.

Há possibilidade de erros de lado a lado. Eles, contudo, jamais devem nos levar a qualquer enfraquecimento de nosso amor e devoção à obra de Cristo, pois “Ele é a cabeça do corpo, da Igreja” (Cl 1,18). Esta advertência é da maior relevância em momentos conturbados, quando surgem conflitos e dissensões.

Outro fator de notável influência na preservação da harmonia é a sincera procura da verdade nas notícias e declarações. Dada a importância dos meios de comunicação social, na formação da opinião pública, grande é sua responsabilidade na apresentação dos fatos. Às vezes, a perspectiva da Igreja é ignorada e deturpada. Ensinamentos e atividades, em diversos âmbitos, estão submetidos a análises preconcebidas, em que a interpretação subjetiva sacrifica ou anula a informação objetiva.

Não podemos deixar que a radicalização de atitudes prejudique a indispensável comunhão entre instituições e pessoas. Os cristãos, como são membros de duas sociedades (a civil e a Igreja), procurem harmonizá-las “lembrando-se que se devem guiar em todas as coisas temporais pela consciência cristã, já que nenhuma atividade humana, nem mesmo em assuntos temporais, se pode subtrair ao domínio de Deus” (“Lumen Gentium”, nº 36).

A coragem em servir à verdade, ensinada por Cristo, deve estar unida à humildade de reconhecer, caso existam, sombras na parte humana da obra do Senhor. A Graça divina nos fará ultrapassar os percalços decorrentes da fidelidade à missão recebida, assim como, caso necessário, rever procedimentos.